Inteligência de Mercado

O tabu da doença pré-existente: O que a lei realmente diz sobre negar atendimento funerário

Autor Ricardo Villas Bôas
O tabu da doença pré-existente: O que a lei realmente diz sobre negar atendimento funerário

A doença pré-existente plano funerário é o tabu que tira o sono de quem tenta equilibrar as contas de uma funerária. A cena se repete em todo Brasil: um corretor porta a porta faz a venda do plano familiar. O titular paga a primeira parcela. Na semana seguinte, você descobre que ele tinha câncer terminal e acabou de falecer. O prejuízo é certo, mas o corretor já embolsou a comissão.

Ocultar propositalmente um quadro clínico gravíssimo apenas para garantir um funeral de baixo custo não é uma estratégia inteligente do cliente, é má-fé. No entanto, quando você avisa à família chorando que o plano não vai cobrir o velório porque havia fraude na contratação, quem vira o "vilão insensível" na pequena cidade é a funerária. Para o Procon, a sua palavra contra a da família enlutada não vale absolutamente nada.

Tentar resolver isso na base do achismo ou do regulamento genérico é suicídio empresarial. Se você quer fechar a torneira de perdas com doentes terminais recém-cadastrados, a regra tem que mudar no momento exato em que a venda acontece. Entenda agora como a lei funciona na vida real e qual a única proteção válida.

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A diferença letal entre Carência Normal e a Carência Agravada

Todo dono de funerária conhece a carência padrão (90 ou 180 dias para morte natural). O problema é quando o plano não exige o documento crucial: a Declaração de Saúde ou Formulário de Anamnese. Se o cliente escondeu o risco de morte iminente e a funerária não perguntou, a empresa assumiu o risco cego e perderá no tribunal.

Ao contrário do que dizem na rua, você não pode simplesmente "cancelar o atendimento" na porta do hospital sem provas de que foi enganado. A entrevista comercial qualificada no momento da venda é a sua salvação. O cliente assina afirmando que goza de perfeita saúde. Se a Declaração de Óbito do IML comprovar que ele morreu de complicações crônicas semanas após assinar isso, o vício de consentimento é provado documentalmente, blindando a empresa. Como já discutimos no guia Falsidade ideológica no velório: Como blindar sua funerária contra quem usa o plano do vizinho, a fraude destrói a base da assistência.

O que fazer? Criar a Cobertura Parcial Temporária (CPT). Se o cliente assumir a doença pré-existente, o corretor pode vendê-lo, mas ele deverá cumprir uma carência de 24 meses (por exemplo) para sinistros diretamente ligados àquela doença grave. Transparência na mesa de vendas gera segurança no fluxo de caixa.

Como blindar o processo comercial hoje mesmo

O vendedor não quer fazer perguntas difíceis com medo de perder a comissão rápida. Essa é a falha. Se você remunera apenas por volume de vidas e não pela qualidade do risco que entra na carteira, sua equipe jogará contra você.

Faça esse teste prático agora: Convoque sua equipe de vendas e mude o comissionamento. A comissão só é paga se a ficha cadastral do cliente vier com a Declaração de Saúde anexada e assinada. O corretor deve perguntar nominalmente se alguém ali faz tratamento oncológico ou de hemodiálise. Se o corretor "esquecer", a venda é anulada administrativamente. Você não deve se preocupar com quem "fura a fila" por acidente se aprender a lição abordada em O 'jeitinho' do funcionário: Como falhas no sistema permitem furar a carência sem você saber.

"Mas o cliente vai mentir de qualquer jeito." Que minta no papel assinado. A diferença entre um aborrecimento e uma condenação judicial de R$ 30.000,00 é ter o documento probatório que o juiz quer ver.

Vendas de rua sem tecnologia são vendas suicidas

Confiar em pranchetas e folhas soltas no carro do vendedor é pedir para os documentos sumirem "misteriosamente" quando o óbito ocorre. O corretor bate na porta com a prancheta de papel. Ele esquece o formulário. Ele preenche rápido e errado para pegar a primeira mensalidade no dinheiro. O caos está feito.

A única forma de impedir a entrada oculta de doentes terminais no plano é eliminar o papel. Quando a funerária investe em aplicativos de vendas externos homologados, o sistema trava o avanço para a tela de pagamento se a Declaração de Saúde não for integralmente preenchida e assinada eletronicamente na tela do tablet ou celular pelo próprio contratante.

A tecnologia audita a venda no mesmo segundo em que ocorre, registrando o GPS da visita, o IP do aparelho e a biometria/assinatura digital da resposta sobre doenças crônicas, tudo criptografado e impossível de sumir.

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